sábado, 30 de abril de 2016

O SOPRO - POESIA e sugestão de técnica Arteterápica.

Frágil leveza do ser
Sopro que expira o ar
Que retorna sem respostas
Significados que se consolidaram
E novos signos que nos arrombam o sopro
Do pouco ar que nos resta
Respirar, respirar
Pensar, pensar
Nada entender neste meio tempo centesimal
Que aponta para o contínuo movimento orbital
Perdendo-se no universo de perguntas
E no limitado entendimento da transitoriedade 
Na  infinita finitude que ainda habita em nós,
Quero respostas...
Quero perguntas...
Respirar holisticamente o sopro da vida .

                   Jane.

Em Arteterapia esta poesia pode nos levar a refletir  sobre o que é o Sopro da vida ? Trabalhando o elemento AR .
Uma atividade interessante pode ser com  balões de soprar. Antes de encher a bola  cada participante do grupo coloca uma pergunta que gostaria de ter resposta dentro da bola. Logo após as bolas são soltas no grupo , onde todos tentam equilibrar as bolas não deixando cair no chão. Depois, cada um pega a bola e estoura para ler a pergunta do Outro  e dar uma resposta, opinião. Os papéis são colocados na bola sem nomes. O grupo todo participa tentando dar sua opinião sobre cada pergunta apresentada gerando assim um  acolhimento no grupo das  questões trazidas com o objetivo de ouvir diversas opiniões e trabalhar seus sentimentos e emoções  para as questões  apresentadas.
                                                Jane

terça-feira, 19 de abril de 2016

#Saúde :Cuidando da Fibromialgia também com a Arteterapia .


Achei este artigo muito interessante. 
Ressalta os benefícios da Arteterapia, como um dos processos de tratamento da fibromialgia.

TEXTO:

"Formado em Reestruturação Postural Sensoperceptiva (RPG/Reposturarse) e pós-graduado em Práticas Integrativas e Complementares, Glauter Araújo revela que a redução dos sintomas, o uso correto dos medicamentos e a mudança no estilo de vida figuram entre as principais respostas dos pacientes submetidos ao tratamento interdisciplinar.
“Nestes casos – diz o fisioterapeuta – os pacientes com fibromialgia acabam se conscientizando de suas limitações, aprendem a superá-las e desenvolvem capacidades de revertê-las, sendo observado em suas atitudes e, sobretudo, na alteração de sua autoestima”. Nos tratamentos físicos, a fisioterapia dispõe de técnicas que contribuem para a melhora e redução da dor, da fadiga muscular e da flexibilidade.
Exercícios artísticos

Em conjunto com outras práticas, a arteterapia – através de exercícios artísticos – tem se revelado bastante efetiva no tratamento dos portadores de fibromialgia. Silvana Parente, arteterapeuta que está prestes a concluir a pesquisa que resultará em sua dissertação de mestrado (“Análise e tratamento interdisciplinar da dor”), pelo Hospital das Clínicas (USP), decidiu empregar sua experiência para trazer benefícios a suas conterrâneas cearenses através da criação de oficinas que visam abrir um novo campo de possibilidades para o alívio da dor.
Ela tem buscado ampliar os limites impostos à comunicação corporal pelas restrições da doença. No trabalho, mostra às pacientes novas possibilidades de expressão e movimento espontâneo do corpo, com recursos das artes cênicas, da música e da mímica a fim de resgatar a expressividade do corpo, mesmo parado imitando uma estátua.
A telefonista paulista aposentada, Marcia L , 58, recebeu o diagnóstico de fibromialgia há cerca de 10 anos. De lá para cá, tem se submetido a vários tratamentos no Hospital das Clínicas de São Paulo. Ainda admite ter limitações decorrentes da síndrome, embora não perca a esperança de ficar definitivamente curada. Conta que, há um ano, fez cerca de cinco sessões de arteterapia com a Dra. Silvana Parente. “Gostei muito, pois senti que no aspecto psicológico melhorei bastante. Pena que foi por um período curto. Creio que se tivesse feito umas 50 sessões, certamente, teria sentido um resultado muito melhor”, atesta.
A pesquisa revelou, dentre outras queixas dos pacientes relacionadas pelos médicos à fibromialgia: fadiga, dormência ou formigamento, problemas para dormir, ansiedade e depressão. Todos esses sintomas causam muito desconforto e amedrontam quando reincidem por um longo período. São debilitantes, além de limitarem muito a vida produtiva dos acometidos pela doença, podendo comprometer o equilíbrio emocional.
Silvana Parente despertou para as múltiplas possibilidades da arteterapia na ocasião que fazia preparação de atores, com expressão corporal, já que era atriz e também bailarina. As pessoas lhe diziam que, além da evolução profissional, sentiam mudança significativa em sua dimensão pessoal e íntima.
Empregar esses recursos na área da ciência da reabilitação foi o passo seguinte. Encaminhada para realizar pesquisa na área médica, escolheu a Comunicação e Postura Humana, onde passou a integrar o grupo interdisciplinar de estudos e tratamento da fibromialgia, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Silvana seguiu para a Espanha para dar sequência a sua pesquisa acadêmica. Com a doença, diz, perde-se a dimensão da imensa capacidade de comunicação e expressão que o corpo tem. A arte surge como uma das formas de se recuperar isso”. 
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa e crônica que engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição e distúrbios do sono.
Atualmente, sabe-se que a fibromialgia é uma forma de reumatismo associada à sensibilidade aumentada do indivíduo frente a um estímulo doloroso. A doença não acarreta deformidade física ou outros tipos de sequelas.
No entanto, o problema não é realmente simples de ser diagnosticado, podendo vir a prejudicar muito a qualidade de vida e o desempenho profissional do paciente, em virtude de uma difusa dor muscular.
A idade de aparecimento da fibromialgia costuma ser por volta dos 30, se estendendo até os 60 anos. De cada 10 pacientes acometidos com o problema, nove são mulheres. Contudo, não se sabe a razão porque isto acontece – não parece haver uma relação com hormônios, pois as dores difusas afetam as mulheres tanto antes quanto depois da menopausa.
O plano de tratamento da fibromialgia consiste, fundamentalmente, em se tratar da dor, do sono, da ansiedade e da depressão, tudo isso associado à prática de exercícios físicos. Esta estratégia tende a ser individualizada e multifacetada, incorporando medicação, terapia física, psicológica e comportamental. Já o tratamento medicamentoso baseia-se no uso de analgésicos, antidepressivos, relaxantes musculares e indutores do sono.
A prática regular de exercícios é o ponto mais importante do tratamento. A atividade física deve ser realizada todos os dias. Indica-se, normalmente, exercícios aeróbicos como caminhar, nadar. A estes se aliam os exercícios que promovem o alongamento muscular.
Atualmente, existem variadas técnicas alternativas para tratar a fibromialgia, como a terapia cognitivo-comportamental e a arteterapia. Estas são técnicas de manejo do estresse, as quais ajudam os pacientes a lidarem melhor com as limitações que a fibromialgia impõe à vida das pessoas através do reconhecimento corporal e da busca de um equilíbrio entre a mente e o corpo."


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Sistema complexo chamado família na Constelação Familiar e a Arteterapia.

 
“Muita gente julga que o amor tem o poder de superar tudo, que é preciso apenas amar bastante e tudo ficará bem. (…) Para que o amor dê certo, é preciso que exista alguma outra coisa ao lado dele. É necessário que haja o conhecimento e o reconhecimento de uma ordem oculta do amor.”

Bert Hellinger


A Arteterapia é um processo terapêutico  que utiliza de recursos artísticos para possibilitar ao cliente a expressão de conteúdos internos até então desconhecidos, que se mostram através de seu fazer arteterápico  revelando-se por uma linguagem símbólica.
Sobre o símbolo Phillipini, nos diz que eles trazem aos indivíduos a possibilidade de conhecer, compreender, refazer, recuperar, rememorar, reparar estruturas e transcender. O símbolo como linguagem metafórica do inconsciente contém , em si próprio, o significado de todos os enigmas psíquicos, cabendo ao arteterapeuta trazer  ao setting os instrumentos necessários para viabilizar este processo.
Quanto mais o Arteterapeuta amplia sua formação com o estudo de outras abordagens terapêuticas, como a constelação familiar, aliada a Psicologia Analítica de Jung  a Gestalt, a Psicologia Transpessoal entre outras,  e também conhecimentos de artes, educação e saúde, mais suporte ele terá para oferecer  e orientar  sua clientela para um atendimento que proporcionará a ampliação da percepção e o resgate interno de seu cliente, entendendo melhor as relações familiares, seus conflitos,  e emaranhados , as hierarquias familiares, sua ancestralidade, identificar os excluídos na família,  saber de sua responsabilidade pessoal e avaliar  seu sentimento de pertencimento,  saber dar e receber afeto ,entre outras situações que Hellinger nos relata em seus diversos livros.(relação abaixo).
                       A constelação familiar é uma abordagem da Psicoterapia Sistêmica Fenomemológica criada e desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger.
Quando falamos desta família , dizemos que a ela pertence : nossos bisavós, avós, pai , filho, irmãos, meio irmãos, tios, os que nasceram de aborto espontâneo ou provocados, os mortos por acidentes, os esquecidos que excluímos , que em geral são: os alcoólatras, drogados, assassinos, aqueles que muito vulgarmente chamamos no convívio familiar de “ovelhas negras”.
A proposta desta abordagem psicoterápica é impulsionar uma ação de “ordem” no clã , que mostre o lugar de cada um, envolvidos pelo amor que existe, mas que se oculta na base destes relacionamentos, que precisam ser redescobertos para que possam viver mais integrados como ser-no-mundo.
Hellinger propõe uma consciência de grupo, a qual chama de “alma”, no sentido de movimento, de vida, de transcendência, e da “ordem” que ele chama de “ordem do amor”.
Nessas “ordens do amor” ele faz referência a 3 princípios que são norteadores para termos a consciência de nosso papel na constelação familiar que são:
1-Necessidade de pertencimento – Preciso sentir que estou vinculado, integrado ao meu sistema familiar e que tenho meu lugar e espaço para me comunicar, me expressar com liberdade. Todos tem o direito de pertencimento. E sempre é bom nos questionarmos :Qual meu lugar na minha família ? O que faço para entender os emaranhados que envolvem meu sistema familiar e mesmo assim, não desistir dela e apertar meus laços familiares? Respeito o direito do outro ser diferente de mim ?
2-Necessidade de equilíbrio entre dar e receber nos meus relacionamentos dentro e fora do sistema familiar.Para que o amor dê certo é fundamental que o equilíbrio entre dar e receber seja respeitado.
É sempre importante nos questionarmos : Será que espero muito dos meus familiares ? Me faço de vítima para chamar atenção ? Sou apenas expectador das cenas familiares? Sei dar e receber afeto em meus relacionamentos ? Sou ansioso, e isso gera muita tensão, e pouco tempo para pensar no outro?
3-Necessidade de hierarquia dentro da família ou sistema. 
A hierarquia diz que quem vem primeiro tem prioridade sobre quem vem depois, assim os pais tem prioridades sobre os filhos. Os pais são grandes e os filhos pequenos, assim os pais dão e os filhos recebem.
Quando os filhos reivindicam dos pais além do que eles dão, cria-se uma desordem na hierarquia, deixando-os amargos e duros consigo mesmo.
Importante observar que cada um possui seu lugar apropriado no sistema familiar. Ocupar seu lugar de direito aceitando as posições dos demais , oportuniza uma relação harmoniosa nas relações sistêmicas.
Esse método explica que há uma repetição de comportamentos de acordo com gerações, mesmo que de uma maneira inconsciente. O mesmo pode acontecer devido ao comportamento ser comum e “familiar”, uma vez que ao pertencermos a um grupo ou família nos acostumamos com as práticas corriqueiras e repetidas com pessoas que dividimos o mesmo ambiente. Hellinger propôs que há uma “consciência de clã” em todos nós que é norteado por simples “ordens arcaicas” ou “ordens do amor”, que referem-se aos três princípios norteadores que mencionamos acima.
 O sistema familiar é uma rede bem complexa. Requer entrega e muita observação dos processos que acontecem para que os “emaranhados “não nos façam perder o foco do que é saudável , criativo e amoroso na convivência familiar.

Hellinger escreveu vários livros sobre as constelações familiares, dentre os traduzidos para o português, estão: 
A Fonte Não Precisa Perguntar pelo Caminho pela Editora Atman 
A Simetria Oculta do Amor pela Editora Cultrix 
A Paz Começa na Alma pela Editora Atman 
Amor a Segunda Vista pela Editora Atman 
Conflito e paz: uma resposta pela Editora Cultrix 
Desatando os laços do destino pela Editora Cultrix 
Liberados Somos Concluídos pela Editora Atman 
No centro sentimos leveza pela Editora Cultrix 
O Essencial É Simples pela Editora Atman 
Ordens da Ajuda pela Editora Atman 
Ordens do amor pela Editora Cultrix 
Para que o Amor de Certo pela Editora Cultrix 
Pensamentos a Caminho pela Editora Atman 
Religião, Psicoterapia e Aconselhamento Espiritual pela Editora Cultrix 
Um Lugar para os Excluídos pela Editora Atman 

Jane

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Criatividade e liberdade.



          

                              ”Ser livre é ocupar o seu espaço na vida."
   “Ser livre significa compreender, no sentido mais lúcido e amplo que a palavra pode ter. Significa um entendimento de si, uma aceitação em si da necessidade da existência em termos limitados. 


    A vivência desse entendimento é a mais plena e a mais profunda interiorização a que o indivíduo possa chegar.

   Assim, a criação é um perene desdobramento e uma perene reestruturação. É uma intensificação da vida."


                                                                                                                                   Ostrower, Faiga, 





Manipulação fotográfica, 1800 1900, retro, vintage, photoshop antigo, preto e branco, criatividade, canna club (15)





sábado, 2 de abril de 2016

Bert Hellinger - Breve biografia do excepcional psicoterapeuta da Constelação Familiar Sistêmica.


Bert Hellinger nasceu em 1925.
No panorama europeu é provavelmente um dos psicoterapeutas mais desafiantes e um dos autores mais lidos no âmbito da psicoterapia.
Antigo padre e missionário junto dos Zulus na África do Sul, foi educador, psicanalista, terapeuta corporal, terapeuta em dinâmica de grupos, terapeuta familiar – toda uma experiência de vida e sabedoria que se transmitem ao seu trabalho.
As constelações familiares, que se tornaram a marca da sua abordagem, e as suas observações acerca dos emaranhamentos sistêmicos e a forma de os solucionar, tocaram a vida de milhares de pessoas e modificaram o modo como muitos profissionais da relação de ajuda conduzem o seu trabalho.
Bert Hellinger escreveu mais de 64 livros, traduzidos em mais de 25 línguas. O seu trabalho está documentado em numerosos CDs e DVDs.
Bert Hellinger afirma que os seus pais e a sua infância foram a principal influência no seu trabalho atual. A particular forma de fé praticada no seio da sua família terá imunizado os seus membros para não acreditarem nas ideias distorcidas do nacional-socialismo. Devido às repetidas ausências de Bert Hellinger às reuniões da “juventude hitleriana” e à sua participação numa organização ilegal de jovens católicos, terá sido classificado pela Gestapo como “suspeito de ser inimigo do povo”. Quis o destino que Bert Hellinger viesse a escapar da Gestapo, ao ter sido mobilizado. Com apenas 17 anos de idade tornou-se soldado, vivenciou as realidades do combate militar, da prisão, da derrota e da vida num campo de prisoneiros de guerra dos aliados, na Bélgica.
A segunda maior influência foi certamente o seu desejo de infância de se tornar padre. Com 20 anos de idade entrou numa ordem religiosa católica e iniciou o longo processo de purificação do corpo, da mente e do espírito, em regime de silêncio, estudo, contemplação e meditação. Foi para a África do Sul, onde permaneceu por 16 anos, como missionário junto do povo Zulu – uma experiência que teve um profundo efeito no seu trabalho ulterior. Neste país foi, em simultâneo, diretor de uma grande escola, professor e pároco. Com o tempo foi-se sentindo em casa entre os Zulus, tanto quanto a um Europeu isso é possível. O processo de abandono de uma cultura para viver noutra moldou a sua consciência acerca da relatividade de muitos valores culturais.
A participação de Hellinger numa formação inter-racial e ecumênica sobre dinâmica de grupos, conduzida por clérigos anglicanos, constitui-se como uma experiência de extrema influência. Teve a oportunidade de contactar com uma forma de trabalhar com grupos que valorizava o diálogo, a fenomenologia e a experiência humana individual. A sua decisão de deixar a ordem religiosa após 25 anos surgiu da compreensão de que ser padre tinha deixado de ser a expressão mais apropriada ao seu crescimento interior.
A psicanálise e a psicoterapia foram as grandes influências que se seguiram. Várias escolas terapêuticas deixaram uma marca na sua forma de trabalhar, somando-se à orientação fenomenológica/ dialógica da dinâmica de grupos aprendida dos anglicanos, à compreensão da necessidade fundamental dos seres humanos de se alinharem com as forças da natureza, que havia aprendido com os Zulus na África do Sul, à psicanálise que aprendeu em Viena e ao trabalho corporal aprendido na América.
Fez formação em terapia familiar com Ruth McClendon e Leslie Kadis, teve a oportunidade de trabalhar com Milton H. Erickson e outros. Para quem está familiarizado com os diversos tipos de psicoterapia, reconhecerá em todo este processo uma integração singular de diversos elementos. Na junção de abordagens poderosas, da psicoterapia e de outros paradigmas, criou uma abordagem curativa eficaz e única. Aprendeu ferramentas específicas de uma grande variedade de fontes, mas a força dominante no seu trabalho advém da sua apurada competência para escutar a autoridade da nossa própria alma. 
Segundo Hellinger, esta não é uma “técnica” garantida, mas é a única e verdadeira proteção que temos contra a sedução por uma falsa autoridade. Ver aquilo que é, em oposição a uma aceitação cega daquilo que se diz – não interessa por quem – é o fulcro do trabalho, frequentemente difícil, de curar indivíduos e comunidades, é o fulcro da vida de trabalho de Bert Hellinger.

Retirado de:
© Traduzido do inglês por Eva Jacinto