segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

A ARTE É UMA FADA QUE TRANSMUTA

A arte é "uma fada que transmuta".   
Manuel Bandeira

"Pessoas com problemas emocionais muitas vezes não têm palavras para expressá-los. A expressão artística provê essa possibilidade. Se fazem um desenho, conseguem comunicar um estado da alma. É um fio que ajuda a entrar em contato",
                                                                     Selma Ciornai

A Psicologia Analítica, de Carl Jung, no setting de arteterapia está voltado para a busca do autodesenvolvimento, para o processo de individuação, que possibilita a visualização da singularidade do sujeito que emerge, desvelando alguns materiais ou símbolos contidos no inconsciente , trazendo-os à luz do consciente.
Um dos principais conceitos de Jung e, pode-se dizer, o objetivo de todo homem para ele, é o da individuação, que seria um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o Self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema, por isso é tão importante manter a comunicação e o equilíbrio do eixo ego-Self. A psicologia Junguiana está basicamente interessada no equilíbrio entre os processos conscientes e inconscientes e no aperfeiçoamento do intercâmbio dinâmico entre eles, lutando sempre contra a unilateralidade e buscando sempre o equilíbrio entre os pares de opostos, conscientizando-os e integrando-os à consciência através da comunicação do eixo ego-Self.
Segundo Nise da Silveira, em Jung vida e obra “o processo de individuação não consiste em um desenvolvimento linear.É um movimento de circunvolução que conduz a um novo centro psíquico, Jung denominou esse centro self( si mesmo). Quando consciente e inconsciente vêm ordenar-se em torno do self, a personalidade completa-se. O self será o centro da personalidade completa-se. O self será o centro da personalidade total, como o ego é o centro do campo da consciência”. (Silveira, 2003 p.77)
A arte traz em si uma possibilidade de tradução de imagens e representações mentais em expressão, trazendo o mundo interno para o concreto e possibilitando ao sujeito visualizar concretamente sua transformação.
O olhar atento sobre o paciente na visão Junguiana observará:

Produção de imagens –IMAGINAÇÃO
Processo criativo por meio da arte – PRODUÇÃO
Interrelação do paciente com a obra criada – COMUNICAÇÃO
Elemento AR – Função Pensamento – O QUE É ? PARA QUE SERVE ?
Elemento TERRA- Função Pensamento – COMO É ? QUE CARACTERÍSTICAS POSSUEM ?
Elemento ÁGUA- Função Sentimento – O QUE ME DIZ ? O QUE VALE PARA MIM ?
Elemento FOGO- Função Intuição – O QUE PODE SER ? NO QUE PODE SER TRANSFORMADO?

“Existem bilhões de pessoas no planeta e muitos tipos de personalidades diferentes algumas são introvertidas outras extrovertidas algumas se guiam pela lógica e outras pelos sentimentos. Em um mundo com tanta diversidade como aprendemos a lidar com os aqueles que são diferentes? E como aprendemos a entender e aceitar quem nós somos?”
“Tenciono agora fazer o jogo da vida, ser receptivo a tudo que me chegar, bom e mal, sol e sombra alternando-se eternamente; e, desta forma, aceitar também minha própria natureza, com seus aspectos positivos e negativos...”  Carl Jung

A arte é uma fada que sempre está se  transmutando, e a linguagem simbólica na busca da individuação abre espaços internos para profundas mudanças comportamentais que nos ajudam a decodificarmos as diferenças e começar a nos ver em plenitude, sem subterfúgios e autossabotagem.

Jane.