Achei este artigo muito interessante.
Ressalta os benefícios da Arteterapia, como um dos processos de tratamento da fibromialgia.
TEXTO:
"Formado em Reestruturação Postural Sensoperceptiva (RPG/Reposturarse) e pós-graduado em Práticas Integrativas e Complementares, Glauter Araújo revela que a redução dos sintomas, o uso correto dos medicamentos e a mudança no estilo de vida figuram entre as principais respostas dos pacientes submetidos ao tratamento interdisciplinar.
“Nestes casos – diz o fisioterapeuta – os pacientes com fibromialgia acabam se conscientizando de suas limitações, aprendem a superá-las e desenvolvem capacidades de revertê-las, sendo observado em suas atitudes e, sobretudo, na alteração de sua autoestima”. Nos tratamentos físicos, a fisioterapia dispõe de técnicas que contribuem para a melhora e redução da dor, da fadiga muscular e da flexibilidade.
Exercícios artísticos
Em conjunto com outras práticas, a arteterapia – através de exercícios artísticos – tem se revelado bastante efetiva no tratamento dos portadores de fibromialgia. Silvana Parente, arteterapeuta que está prestes a concluir a pesquisa que resultará em sua dissertação de mestrado (“Análise e tratamento interdisciplinar da dor”), pelo Hospital das Clínicas (USP), decidiu empregar sua experiência para trazer benefícios a suas conterrâneas cearenses através da criação de oficinas que visam abrir um novo campo de possibilidades para o alívio da dor.
Ela tem buscado ampliar os limites impostos à comunicação corporal pelas restrições da doença. No trabalho, mostra às pacientes novas possibilidades de expressão e movimento espontâneo do corpo, com recursos das artes cênicas, da música e da mímica a fim de resgatar a expressividade do corpo, mesmo parado imitando uma estátua.
A telefonista paulista aposentada, Marcia L , 58, recebeu o diagnóstico de fibromialgia há cerca de 10 anos. De lá para cá, tem se submetido a vários tratamentos no Hospital das Clínicas de São Paulo. Ainda admite ter limitações decorrentes da síndrome, embora não perca a esperança de ficar definitivamente curada. Conta que, há um ano, fez cerca de cinco sessões de arteterapia com a Dra. Silvana Parente. “Gostei muito, pois senti que no aspecto psicológico melhorei bastante. Pena que foi por um período curto. Creio que se tivesse feito umas 50 sessões, certamente, teria sentido um resultado muito melhor”, atesta.
A pesquisa revelou, dentre outras queixas dos pacientes relacionadas pelos médicos à fibromialgia: fadiga, dormência ou formigamento, problemas para dormir, ansiedade e depressão. Todos esses sintomas causam muito desconforto e amedrontam quando reincidem por um longo período. São debilitantes, além de limitarem muito a vida produtiva dos acometidos pela doença, podendo comprometer o equilíbrio emocional.
Silvana Parente despertou para as múltiplas possibilidades da arteterapia na ocasião que fazia preparação de atores, com expressão corporal, já que era atriz e também bailarina. As pessoas lhe diziam que, além da evolução profissional, sentiam mudança significativa em sua dimensão pessoal e íntima.
Empregar esses recursos na área da ciência da reabilitação foi o passo seguinte. Encaminhada para realizar pesquisa na área médica, escolheu a Comunicação e Postura Humana, onde passou a integrar o grupo interdisciplinar de estudos e tratamento da fibromialgia, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Silvana seguiu para a Espanha para dar sequência a sua pesquisa acadêmica. Com a doença, diz, perde-se a dimensão da imensa capacidade de comunicação e expressão que o corpo tem. A arte surge como uma das formas de se recuperar isso”.
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa e crônica que engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição e distúrbios do sono.
No entanto, o problema não é realmente simples de ser diagnosticado, podendo vir a prejudicar muito a qualidade de vida e o desempenho profissional do paciente, em virtude de uma difusa dor muscular.
A idade de aparecimento da fibromialgia costuma ser por volta dos 30, se estendendo até os 60 anos. De cada 10 pacientes acometidos com o problema, nove são mulheres. Contudo, não se sabe a razão porque isto acontece – não parece haver uma relação com hormônios, pois as dores difusas afetam as mulheres tanto antes quanto depois da menopausa.
O plano de tratamento da fibromialgia consiste, fundamentalmente, em se tratar da dor, do sono, da ansiedade e da depressão, tudo isso associado à prática de exercícios físicos. Esta estratégia tende a ser individualizada e multifacetada, incorporando medicação, terapia física, psicológica e comportamental. Já o tratamento medicamentoso baseia-se no uso de analgésicos, antidepressivos, relaxantes musculares e indutores do sono.
A prática regular de exercícios é o ponto mais importante do tratamento. A atividade física deve ser realizada todos os dias. Indica-se, normalmente, exercícios aeróbicos como caminhar, nadar. A estes se aliam os exercícios que promovem o alongamento muscular.
Atualmente, existem variadas técnicas alternativas para tratar a fibromialgia, como a terapia cognitivo-comportamental e a arteterapia. Estas são técnicas de manejo do estresse, as quais ajudam os pacientes a lidarem melhor com as limitações que a fibromialgia impõe à vida das pessoas através do reconhecimento corporal e da busca de um equilíbrio entre a mente e o corpo."






