quinta-feira, 31 de março de 2016

# O MITO DA CAVERNA E POSSIBILIDADES DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA.



   Platão , era grego, como sabemos um dos mais importantes filósofos do período clássico de nossa história, Viveu pelos anos de 428 a 347 A.C. e sempre estava com seu grande mentor Sócrates e de seu aluno Aristóteles. Que trio heim !!!! Altos papos rolavam por ali....
    Sócrates sempre insistia com seus pupilos que a filosofia deveria sempre falar das questões cotidianas, falar de pessoas comuns, assim como ele, que era filho de pedreiro e de uma parteira. Não deixou suas ideias escritas, como conjunto de suposições, teorias,mas os seus fiéis discípulos Platão e        Xenofonte deixaram para nós os relatos da vivência de seu grande mentor.
   Sócrates nos convida a sempre reavaliarmos nossas ações, emoções, para que possamos desenvolver habilidades para modular as nossas reações negativas diante de certos conflitos, para que em mudando nossas crenças e emoções vamos conseguir ressignificar nosso vivido para o pensamento de positividade, alteridade e otimismo, ao que já na pós modernidade, se podemos chamar assim, os neurocientistas chamam de “reavaliação cognitiva”, onde podemos utilizar a habilidade de plasticidade de nosso cérebro, como já falava o filósofo estoico grego Epiteto : ” Não há nada mais manipulável do que a psique humana.”
    Seguindo seu grande mestre, Platão nos traz seu pensamento dizendo que através do conhecimento é possível captar a existência do mundo sensível. No seu livro A República , ele nos fala do mito da caverna.

    Em síntese o mito da caverna , nos fala de prisioneiros que desde o seu nascimento, vivem atados em correntes em uma caverna e todo o tempo ficam olhando para a parede em frente. Esta parede é i
iluminada por uma fogueira que fica atrás deles. Nessa parede são projetadas suas sombras, suas formas, e todos passam o tempo todo olhando para as sombras, dando nomes, e tentando entender o que sempre se repetia. Um dos prisioneiros escapa para o mundo exterior, e vê a luz do sol, e compreende a vida. Pensa em voltar a caverna e contar aos amigos sobre tudo que aprendeu. Mas teme ser tido como lunático.

  Simbolicamente podemos dizer que : a caverna – é o nosso mundo, onde somos os prisioneiros na eterna repetição de falsas crenças, o fogo – é a luz do sol do conhecimento, o prisioneiro que foge representa o anseio de nossa alma de libertar-se da sombra de sua ignorância , mas ainda temerária por revelar-se.

   O mito da caverna é uma metáfora que acompanha nosso processo civilizatório. Somos ainda prisioneiros da sombra do poder, do orgulho, da vaidade, que nos afastam dos reais contornos, cores e formas que a lógica do bom senso nos propõe como reflexão.
  As trevas da ignorância de nossa complexidade metafísica expressam-se como os prisioneiros da caverna que viam suas projeções na parede gigantescas, ficavam admirados de algo tão maior que eles mesmos, se iludiam, e não prestavam atenção em si mesmos, viviam da forma e não se questionavam sobre sua essência, transcendência.
    Na nossa contemporaneidade fico a pensar que estamos ficando presos na caverna do tecnocentrismo .   Será que estamos nos acorrentando às engrenagens tecnológicas, que as vezes nos tiram o foco de nossa transcendência ? Será que estamos cuidando de nossa alma , como recomendava Sócrates ?
  Nada contra o movimento tecnológico, só acho que estamos ficando muito dependentes destes mecanismos que sustentam vertiginosamente o modelo capitalista, consumista.
  E continuo eu a pensar cá com meus botões: Será que estou cuidando bem de minha alma, como recomendava Sócrates?

Um bom tema para  desenvolver no setting arteterapêutico, é passar o vídeo do Mito da Caverna e trabalhar os elementos sombra e luz através de representação teatral com  confecção de máscaras.

Jane

"Quem acusa os outros pelos próprios infortúnios revela uma total falta de educação; quem acusa a si mesmo mostra que a sua educação já começou; mas quem não acusa nem a si mesmo nem aos outros revela que sua educação está completa."

            Epiteto (55-135 d.C.) filósofo estoico da Grécia antiga







#Trajetória histórica da Arteterapia.


Desde a época das cavernas os homens já se utilizavam do desenho, representando através de imagens o seu vivido, sua organização, suas danças e pinturas de rituais de cura invocando as forças da natureza ficaram impressas nas paredes do tempo.
O uso terapêutico das artes remonta-se a estas civilizações antigas.
Mas é com a crise da modernidade, e em especial após a Primeira Guerra Mundial, que a arteterapia, surge como profissão , e com seu corpo próprio de conhecimentos , práticas e pesquisas.
O projeto iluminista trouxe na época moderna a crença que o desenvolvimento material e moral do homem seria alcançado pelo conhecimento , pela razão. Foi um momento fértil nos ciclos evolutivos da humanidade, momento de expansão de ideologias, movimentos sindicais, culto as fábricas, novas tecnologias e grande avanço nas ciência.
Após a Primeira Guerra Mundial, inicia-se em paralelo ao movimento iluminista, um movimento de mudanças, cuja origem encontra-se na crise da ciência e da verdade. Surge Einstein , com a Teoria da Relatividade que traz para a física moderna novos paradigmas até hoje estudados.
Destaca-se neste período o pai da psicanálise, Freud, que trás o revolucionário conceito de inconsciente, que impôs uma radical mudança da imagem que o homem tinha de si e Jung ex discípulo de Freud, que segue seus próprios passos tornando-se o pai da Psicologia Analítica, estava desenvolvendo trabalhos e estudos sobre a produção artística de seus pacientes, buscando formas alternativas para o tratamento analítico.
 Nos movimentos artísticos vamos encontrar no fim do século XIX e início do século XX a perspectiva de novas possibilidades para compreensão do homem . Com o Expressionismo encontramos a busca da emoção e da subjetividade humana; no Dadaísmo a busca da criança interna e o nonsense como forma de contraposição a lógica burguesa; no Cubismo, o reconhecimento de que todo fenômeno pode ser visto de diversos ângulos; no Surrealismo de Dali e Breton, Chagall e no teatro do absurdo a busca do inconsciente, do imaginário.
Com estes movimentos artísticos neste período , a contestação do real, vinha com formas artísticas assimétricas, deformadas, como linguagens artísticas que expressavam um desejo de contextualizar o momento histórico para trazer ao debate, ao cenário social uma possibilidade de reflexão deste homem moderno.
No campo da educação vamos encontrar Piaget, Dewey e Montessori, que se dedicaram ao estudo do desenvolvimento infantil, colocando a educação como um processo de cultivo e incentivo ao desenvolvimento da criança em sua totalidade, surgindo assim a arte educação nos trabalhos de Victor Lowenfeld e Florence Cane.
No pós- Primeira Guerra, e principalmente após a Segunda Guerra o mito de que a razão e a ciência seriam as grandes respostas para o mundo vem abaixo. Há uma crise de conceitos , novos paradigmas surgem e desmoronam as grandes expectativas que a ciência e a tecnologia suplantariam todas as questões do homem. 
Na década de 40 a arteterapia firma-se com sua especificidade nos Estados Unidos com o trabalho de Margareth Naumburg. Nascida em New York em 1890, artista plástica, assim como sua irmã Florence Cane. Formou-se em psicologia, pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, fez estudos de psicologia experimental e parapsicologia na Inglaterra. Em Roma fez cursos sobre o método Montessori de educação infantil. Fez formação psicanalítica e fundou uma escola de vanguarda a Escola Walden.Nesta escola ela defendia a importância da expressão dos conteúdos e motivações inconscientes para a educação e o desenvolvimento da personalidade. Por lá ficou na direção por 10 anos, e em 1928, escrevia A criança e o mundo, livro em que enfatizava a expressão criativa e imaginativa do aluno.
No período pós industrial na década de 50, há uma modificação significativa sobre o status da ciência e da universidade. É nesta época que seguindo o surgimento da Arte educação nos trabalhos de Lowenfeld e Florence Cane que a Arteterapia começa a ter mais visibilidade.

Jane

Bibliografia : Arteterapia Gestáltica de Selma Ciornai.





#Arquétipos e símbolos nas atividades de Arteterapia

 
Falando de símbolos e arquétipos, é necessário passarmos  pelo conceito de inconsciente coletivo.
De maneira simples, inconsciente coletivo é a parte do inconsciente individual que resulta da experiência ancestral da espécie, ou seja, ele contêm material psíquico que não provêm da experiência pessoal. 
Jung compara o inconsciente coletivo ao ar, que é o mesmo em todo o lugar, é respirado por todos e não pertence a ninguém.

O conteúdo psíquico do inconsciente coletivo são os arquétipos.
Arquétipo:  Que são uma forma de pensamento universal com carga afetiva, que é herdada. 

Os arquétipos são como diferentes “formas de bolo”, que dão características ao bolo. Eles dão origem as fantasias individuais e também às mitologias de todas as épocas. 

 Jung nos diz que o conceito de arquétipo é muito mal compreendido, pois este não expressa uma imagem ou conteúdo definido, mas sim uma variação de detalhes e um motivo, mas nunca perdendo a configuração original. 


A palavra arquétipo se origina do grego arkhe, que significa o primeiro, e typon, que significa marca, cunho, modelo, sendo, por isso mesmo, as marcas ou modelos primordiais, iniciais, que constituem o arcabouço psicológico do indivíduo, facultando a identificação da criatura humana. Existem no ser como herança, como parte integrante do seu processo de evolução.

Falando sobre os símbolos, estes não podem ser comparados aos arquétipos, já que os arquétipos não tem um conteúdo definido. Nosso inconsciente se expressa basicamente pelos símbolos. 
           Os símbolos podem ser individuais ou coletivos. 

Jung se interessou mais pelos coletivos ou universais como: a estrela de Davi, a Cruz entre outros, em sua grande maioria religiosos. 

O símbolo é algo dinâmico e vivo, que vai além do consciente.

 Eles podem ser encontrados nos sonhos com uma representação individual ou coletiva. Por isso, quando aparecerem símbolos em seus sonhos, procure saber o que eles representam para você, fazendo uma ponte para com a sua situação de vida. 
Jung dizia que como uma planta produz flores, assim também a psique cria os sonhos.
                            ARTETERAPIA
O arteterapeuta sempre está atento a estes conceitos na tentativa de agir como facilitador da interpretação  dos símbolos que seu cliente representa através das expressões artísticas  que  revelam em suas narrativas. O terapeuta atua com sua  intervenção reflexiva objetivando o desabrochar dos conteúdos inconscientes do cliente com objetivo maior de chegar a  seu processo de totalidade : a individuação.


Trabalho  realizado com argila por cliente , cujo tema era identidade e autoimagem.


Jane